sábado, 17 de fevereiro de 2007

Relato de um caso prático. Hipnós e sua influência na vida académica. Um teorema de carácter militar e mitológico.

Epígrafe

Muitas vezes sentíamos-nos diferentes. Muitas vezes não nos queríamos envolver com os comuns estudantes. Muitas vezes tentávamos distinguir-nos pela nossa imaginação e, quase sempre, tínhamos razão de e, para assim agir.

Pelas mais diversas razões mas, essencialmente, pela qualidade duvidosa do divino néctar de Baco assim como pelas companhias de interesse duvidoso, resolvemos faltar ao tradicional jantar de curso da recepção ao caloiro daquele que foi o nosso 3ºano de académicos bons viventes. No entanto, apesar do núcleo duro dos artistas ter decidido ir jantar num outro restaurante, isso é, bem longe da sôfrega reunião dos restantes camaradas de curso, 2 emissários foram mandados em sacrifício como Participantes/Observadores para que não corrêssemos o risco de não estar a par de algum acontecimento relevante para os nossos pertinentes julgamentos acerca da vida social Vianense. Note-se que apesar dos poucos defeitos que, modestamente, admito que pudéssemos ter tido, a nossa inviolada moral nunca nos permitiria conjecturar sem acertados fundamentos provindos de fontes seguras, filedignas e incorruptíveis.

Assim sendo, foram escolhidos para esta missão de reconhecimento undercover, os 2 elementos que, na nossa perspectiva, melhor se enquadrariam no ambiente em questão. Destacados o TS e Javali, a noite prosseguiu como planeado até certa altura...

Autor: GMDC


Capitulo I

Enfastiado de vinho maduro sobre-aquecido e, ainda sofrendo dos abusos alcoolémicos da noite anterior, decidi não me deslocar para o antro onde se praticava lenocídio de caloiras naquele ano. Os restantes agentes, estes, sempre fieis aos seus postos, incumbiram-me porém de uma ultima incumbência.

Nada me fazia suspeitar, até então, que algo poderia ter corrido mal. Quando não há notícias, estas são sempre boas. No entanto, subindo as difíceis escadas de caracol com uma recruta feminina que, tinha o simples papel de entregar ao mesmo a carteira que o Psico tinha deixado em casa, percebo que o esquadrão nº1 tinha cumprido a sua tarefa bem demais.

Bem demais estão alguns dos leitores neste momento a pensar. O que é que pode ser bem feito demais? Não será isso uma questão do aborrecido e, na minha opinião, supérfluo forro filosófico? Saltando intermínáveis e inúteis horas de discussões inconsequentes, o facto é que TS e Javali tinham levado naquela noite o termo undercover a um nível que antes nunca sequer tinham os mais ambiciosos ousado sonhar.

Lembro me de os ver sair de casa os olhos brilhantes com uma felicidade e orgulho que só os puros, jovens ainda ingénuos, ainda tem coragem de ressentir nos seus âmagos ansiosos por abraçar uma causa qualquer. Sempre alegres por desempenhar uma missão, esta não era, à partida, um obstáculo as suas imaculadas folhas de serviço.

No entanto, lá estava eu com a recruta atrás de mim. Na penumbra hesitante que só os ares abstractos da casa do 3º ano oferecia, tínhamos-nos esgueirado pelas íngremes escadas até ao corredor central. Pressenti imediatamente que algo não estava bem. É estranho que numa sociedade envolta pela tecnologia e pela dessensibilização dos instintos, o ser animal entorpecido dentro de nós ainda consiga, bem que fugazmente, emergir das nossas entranhas despertando-nos o sexto mítico sentido.

Logo que fiquei ofegante e senti a apreensividade da pessoa atrás de mim, senti o velho desgastado soalho de madeira a vibrar. A onda de choque furiosa, cujas sequelas consecutivas aumentavam a intensidade global das oscilações do chão instável, era quase palpável. Ao mesmo tempo que estudávamos, aterrados, este fenómeno, começamos a ouvir uns estrondos roucos e pesados que me recordava uma cena que ficou na história do cinema. Estou me a referir mais especificamente aos impactos dos passos do Tyrannosaurus REX na famosa saga dirigda por Steven Spielberg.

Senti-a a agarrar-se ao meu braço insegura quanto ao que poderia esconder aquele escuro corredor. O nosso stress aumentou quando entrevimos por entres as frinchas da porta de um quarto, uma cansada luz amarelada. Dei um cuidadoso passo atrás como precaução tendo, no entanto, cuidado com o absimo com o qual as escadas nos ameaçava. Foi neste preciso momento que o mistério se revelou.

Javali abriu de rompante a porta do quarto. O seu denso cabelo revolto, invocador de um estilo Holiwoodiano fora de moda desde os anos 80, tal juba de um animal sem glória. As suas vestimentas eram nulas a não ser que, consideremos como tal, as pálidas cuecas brancas tão reservadas na discrição de seu dono como, talvez, reveladoras da sua pouca ou nenhuma utililidade exibicional para com o sexo oposto.

Boquiaberta, a jovem que me acompanhava assistia em primeira mão a este triste espectáculo. A proeminente barriga de TS liderada todo este carrocel vergonhoso. Este pequeno , mas largo, ser humano, passou por nós correndo desenfreadamente numa ânsia descontrolada rumo às casas de banho. Cheguei a temer pela estabilidade do prédio e, só consegui esquecer o penetrante ruído dos seus passos, quando ouvi o gorgolejar espesso do seu vómito caindo nalguma superfície dura destina a outros propósitos.

Envergonhado pela situação, entreguei a carteira e despachei a jovem recruta pelas escadas menorizando sem convicção o que ela tinha acabado de ver. Neste momento apenas estava tentando alcançar Javali antes que este desfalece-se.

Levei o para o quarto, tal túmulo eterno, e consegui arrancar dele um ultimo estertor justificativo. Empenhando-se ao máximo para aderirem ao visco do ambiente de um jantar de curso, os nossos 2 queridos agentes cometeram o pecado mortal dos infiltrados. Ou seja, tornaram-se como os espionados não conseguindo, apesar dos intensos treinos quase diários, integrarem-se naquela imunda forma de vida sem sofrer uma certa atracção.

No entanto, apesar de seriamente debilitadas, Javali ainda consegui usar algumas das suas capacidades para regressar à base. Fazendo jus da faísca que apenas os grandes homens tem, consegui, a muito custo, ultrapassar alguns inimigos dos quais apenas os mais relevantes passarei a citar: Gregório, Equilíbrio, Narcolépsia e um tal de Maisalcool.

Antes da sua consciência cair na escuridão, revelou-me ainda mais uma coisa:

-O Ts.. Ajudem-no..
-TS? Ainda esta lá fora? Insisti zangado comigo mesmo por te-lo esquecido.

Senti-me aliviado. Tinha chegado a pensar que ele pudesse ter-se juntado ao campo oposto.

-Está, nem imaginas como ele está.. Coitado.. Vomitou-se todo.. Ajudem-no..

E calou-se finalmente..

Neste momento senti-me revoltado pelo meu egoísmo. De facto, apesar da gravidade do momento e da preocupação por saber que andava um dos nossos lá fora exposto e vulnerável, senti me incrivelmente feliz. Feliz por ter tido a oportunidade de presenciar uma destas tão raras atitudes onde, o ser humano no seu ultimo folgo, tem por preocupação a salvaguarda de um companheiro. Uma atitude destas é digna das mais altas das condecorações.

Ainda extasiado pela nobreza de sentimento que tinha sentido por parte de Javali, afastei a imunda sensação de reconforto de dentro de mim. Fechei nostálgico a porta do quarto imaginando quando é que alguém voltaria a deixar a luz lá entrar, e prostrei-me na varanda agreste.

Olhando para a cidade que se embebedava de noite, perguntei para mim:

Onde estará TS? O que lhe vai acontecer?

Autor: GMDC


Capítulo II

Depois do bem sucedido projecto para representar a tradição marítima vianense na Expo 98, Pedrosa Quintela rapaz ambicioso, decide lançar as suas redes a outros intentos.

Vivia com o sonho de discotecas, mas a tradição de família imponha-se para fazer vida de pescador. Sempre a fervilhar de ideias nos tempos vagos da faina marítima, Pedrosa Quintela procurou rentabilizar o extinto projecto da Expo, e decide adapta-lo a outras funcionalidades. De tão habituado às ondulações que a faina lhe impusera, Pedrosa Quintela tinha dificuldades em adaptar-se a terra firme. Especialmente, quando dançava em discotecas. Era um autêntico desajeitado.

Esta particularidade falou mais alto na hora de decidir o que fazer com o projecto. Assim decide criar um espaço onde conjugasse todos os factores que lhe preenchiam a vida; mulheres, mar e discoteca. Daí não tive outro caminho, e nasceu o mais alternativo e inovador recinto de diversão do Alto Minho: A Sereia da Gelfa.

Ora, uma festarola académica que se preze não pode passar ao lado da tradição, nem muito menos da novidade.

E assim foi...

Capas ondulantes, gesticulações, risos, comentários e alegrias desprovidas de lucidez acompanhavam a azafama estudantil que empilhava os autocarros com destino à pista prometida. De um modo geral uma ânsia fervil pairava sobre nós estudantes. Para os novatos caloiros a ânsia de conhecer, para nós doutores a ânsia de sermos conhecidos. É o pretérito mais que perfeito da vida académica!

Apesar de nessa semana de recepção ao caloiro estávamos em maré de azar em matérias de condução, policia, álcool e discotecas, decidimos mesmo assim não dar parte de fraco e ir de carro... e para não variar... irmos (quase) todos!

E partimos para o imprevisto... deixando para trás o amontoada de gente zombificada que aguardava o próximo autocarro de serviço. Para a maioria de nós era mais um simples rescaldo das noites anteriores mas, para o nosso TS tudo era novidade. Trabalhador estudante, sentia-se na obrigação de aproveitar ao máximo a folia estudantil, quer por sua vontade quer por vontade do grupo. De maneiras que, mesmo sobre efeito de muito cansaço e álcool, a noite à uma da manhã ainda tinha muito para dar!

A viagem correu bem, apenas uma má disposição devido à pouca arrumação que o automóvel tinha, obrigando o nosso TS a ficar entalado no meio do banco de traz. Entre o sono e caimbras o nosso TS lá ia soltando um «dá-lhe gás» ou o clássico «passa um fininho àquelas febras ali» que tão bem o caracteriza. Chegados ao destino, pasmaram-se-nos os espíritos com toda aquela confusão. Para começar três filas à porta de entrada, um parque de estacionamento a abarrotar de carros, e uma autêntica esquadra de arrumadores por eles atraídos.

Ora isto de atraídos pelos carros não é assunto exclusivo para arrumadores... e eu sei do que que falo! É que o nosso amigo TS também tem atracção por automóveis... em particular por espelhos, tejadilhos e portas! Apesar do seu temperamento tranquilo e nada dado a grandes manifestações é um rapaz que depois de umas boas litrenas tem umas tendências com contornos de obsessão. Devido à sua perna longa e ao seu magnífico modelo de sapatos, a hipótese de subir e saltitar por cima dos carros sem dó nem piedade, proporcionando a quem assiste momentos de rara beleza nunca fica por terra. Aquilo afigura-se como uma nova vertente das tão badaladas Danças Urbanas, em que o nosso ARTISTA conseguiu misturar o sapateado com o balé na perfeição!

«Peeessssooaaaal......»

«temos que controlar o TS porque com tanto carro por perto ou o aguentamos agora ou nunca mais o apanhamos»
Nisto vira-se o TS «Pá vou ali dar uma mija e já venho!»

Agoirados... nem é tarde nem é cedo... fomos todos com a desculpa de cumprir o famoso ditado de que "quando mija um português mijam logo dois ou três" embora a vontade também tivesse o seu contributo. Bom, o certo é que o pior dos cenários tinha sido ultrapassado e caminhava-mos então para o interior da discoteca prometida. A expectativa era muita, pois tratava-se de umas das criações mais esotéricas da região, protagonizado pelo emblemático Pedrosa Quintela.
Além do mais, o simples nome Sereia da Gelfa afigurava-se-nos como que um autêntico Santo Graal de diversão nocturna. "Sereia" era automaticamente associado a "mulheredo" e "Gelfa" soava invariavelmente a marca de cerveja. Isto bastou para nos comandar as vontades e aguçar as expectativas.

Na entrada, ficamos cegos pelos holofotes e não reconhecíamos ninguém.. muito menos adivinhar qual o aspecto da disco pois tudo era sombra e som naquele momento. Totalmente ofuscados, achamos por bem restabelecer energias e assentar um pouco as ideias pelo que encostamos no primeiro balcão que encontramos. Lá fomos bebendo umas "gelfas" enquanto observamos "pseudo sereias" e particularmente o próprio espaço.

O recinto era encantador, cheio de luzes que nos remetiam para um cenário de navegações em pleno alto mar. A pista de dança equipada com um sistema de molas amortecedoras, fazia os dançantes ondular consoante o ritmo da música. Dava a sensação de estarmos sobre o mar. O sistemas foi tão bem projectado que bastava um só individuo a dançar para movimentar a pista, fazendo com que todos se sintonizassem ao mesmo ritmo, mesmo aqueles que não dançavam. Ali toda a gente se mexia não havia hipótese.

Tudo ia normal até uma pouco enfadonho diga-se de passagem, os artistas já davam sinais de cansaço. Até que alguém deu a ideia de ir esticar a pernanga para a pista. Passaram-se umas musiquitas, umas bebidas, umas risadas, a moka começou a abater-se sobre nós e quando demos por ela estávamos um em cada ponta da pista. Fomos levados ao sabor da corrente tal e qual como no mar.
Com algum esforço à mistura, por entre toda a aquela gente lá nos conseguimos juntar e chegamos à conclusão de que tínhamos que dançar para não sermos levados novamente. No entanto, para poupar esforços, decidimos que um só elemento do grupo é que dançava enquanto os restantes serenavam ritmadamente. Ora o membro do grupo mais indicado para o efeito era sem dúvida nenhuma o nosso amigo Javali, que dramaticamente, ficou impedido, sem explicação plausível, de acompanhar o grosso dos artistas até esta surpreendente discoteca..

Desta maneira, com tanto cansaço, bebida e embalanço, aconteceu a mais insólita e improvável situação que eu alguma vez presenciei em toda a minha vida num estabelecimento de diversão nocturna. O nosso amigo TS, que pelos mais diversos motivos, se sentiu tão embalado que adormeceu em plena pista de dança! Exactamente ADORMECEU... e de pé!
Este individuo conseguiu vencer, não direi todas, mas umas quantas leis universais da física moderna. Faltou-lhe foi vencer por completo a lei da gravidade porque a sua cabeça teimava em pender-se vertiginosamente para o chão, e umas tantas vezes para trás e outras que tantas, para os lados. Facto que obrigou o nosso artista a recorrer à técnica da "ombriedade" que como o próprio nome indica tem a ver com ombros e solidariedade (ombr+iedade) que mais não é do que contar com o apoio dos ombros dos outros.

Orgulhosos de tão belo momento acrobático, não mais ousamos desamparar o nosso herói na sua insólita odisseia narcótica.

Meus amigos... o que acabei de contar foi simplesmente um marco histórico da humanidade, um episódio que por motivo de contextualização, só comparado às aventuras de Ulisses.

Naquele reduto tempestuoso, o nosso TS sentiu-se tão preso ao sono como Ulisses ao mastro da caravela aquando da sua travessia pelo mar das sereias. Ao nosso artista não houve canto de sereia que o despertasse, nem mesmo aquela música do "I Will Survive de Gloria Gaynor" o acordou do seu vertical soninho em pleno mar de vibrações.

Autor: Laranjinha

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

A casa do 3º ano

Por entre as mais etéreas recordações dos anos de esforçado e, comparticipado, ócio, estão os tempos passados na 3ª gurita. Local estranho este, desengonçado, sem jeito e, ao mesmo tempo tão incrivelmente apto para os nossos débeis estados mentais.

Localização estratégica tal qual o covil anterior desta vez, porém, potenciada pela proximidade dos estabelecimentos de diversão nocturna e pela feliz vizinhança. Na verdade, e quanto a isso ponho a minha mão no fogo, o facto de a nossa célebre varanda escarpada da rua da Védoria estar cara a cara com as janelas da ala feminina da residência estudantil da ESTG, nada teve a ver com a nossa decisão de ir assombrar o imóvel em questão e os pobres moradores propínquos.

Devo dizer que a primeira vez que visitei o local que, seria no próximo ano lectivo, o nosso nicho de refugio, fiquei bastante perplexo. Na verdade, para além da invulgar arquitectura interior deste edifício classificado, segundo o excentricamente diabólico senhorio, como edifício de interesse municipal (concordo com esta designação mas só depois de aí termos habitado), vários aspectos estranhos saltaram me à vista com toda a força das evidências levando-me, até, a por em causa a habitabilidade do andar.

Assim, seguem agora alguns aspectos peculiares, quase anedóticos :

1º: A Portinhola

A porta de entrada em madeira bruta cujas tábuas, sem tinta, deixavam entrever o interior e, permitiam livre curso ao agreste sopro marítimo, despojado dos seus veraneantes sonhos pela crueldade do Inverno Alto Minhoto. Na sua totalidade, esta peça de bruta artesanalidade, invocadora de outros tempos (menos preocupados com a estética do que com a função), tinha a virtude de afastar os curiosos pelo simples facto de nem um ladrão do mais baixo calibre estar disposto a arriscar-se ser apanhado numa tão aparentemente miserável moradia.

2º: As Escadas

Interminável caracol de acentuada inclinação substanciadora dos mais perigosos efeitos do álcool. Fortuna, divina providência, os nossos hábitos degradantes, certificado de estupidez de um viver de estudante. Nunca ninguém partiu nenhum osso. Estafados chegavamos ao 3º piso, depois de termos vencido a enorme travessia da caixa de ar gélido que, nos edifícios pós-medievais, era hábito encontrar em vez dos tradicionais patamares de acesso aos outros pisos. Nestas primordiais habitações, não se poupava espaço e, assim, cada andar tinha o seu próprio acesso para a rua e a sua individual escada de acesso até ao conforto do lar.

3º: O estado de conservação

Resumirei ao máximo as sensações que tive quando, pela primeira vez, observei o interior deste monstro. Isso porque custa-me de facto relembrar os suores frios, o nojo e a vergonha. O chão estava coberto de um pó branco o qual, no fundo de mim mesmo, pensei ser um narcótico ao acaso. No entanto, a explicação muito oportuna que nos foi dada, foi que tal inesperada situação era da inteira responsabilidade das inquilinas anteriores que, apesar da oposição do proprietário, tinham infestado o espaço com as pulgas do seu gato. Mais do que isso, a ironia palpável que emanava das paredes, fez me ver que, apesar da convivência proibitiva de um felino com os seus donos, estes também tinham dividido o espaço com uma espécie de roedores difamados há séculos, por serem os portadores do vírus mais mortal da história da humanidade: A peste Negra. Finalmente, o vazio das paredes, o ar gélido (capaz de quebrar os mais duros ossos) que deslizava pela serra e entrava pelas inúmeras frinchas do prédio, o forte odor a tinta e verniz de má qualidade, compuseram o "bouquet" final que levou ao fecho do contrato com a agência imobiliária. O masoquismo crónico da nossa irreverência não podia nunca deixar que tão carismático local, de características raras, se escapasse. Tanto potencial em promiscuidade diária com a nossa criatividade só poderia dar origem a uma linda história de terror.

4º: A Varanda

Sem duvida o ex-libris do lugar em que habitamos neste ano. Ampla, com vista privilegiada sobre o Monte de Santa Luzia , não eram atraídos frequentemente os nossos olhares, para tão nobre monumento. Mesmo sendo ícone de uma região, as nossas vistas poisavam mais facilmente assim como, frequentemente, em zonas mais baixas do horizonte. Na verdade, tínhamos preferência, vá se lá saber porquê, pelas glândulas mamárias das vizinhas da frente e, não raras vezes, pelas suas fascinantes peças de roupa interior que flutuavam furiosamente arrebatas pela ventania da cidade. Este nicho estratégico era usado assiduamente para as mais variadas aplicações de ideias geniais que nos surgiam diariamente. Citando apenas algumas destas situações, sou levado a optar pelo arremesso de objectos contundentes para o pátio da residência, as competições de tiro ao alvo (onde o prémio era atribuído a quem mais lixo conseguía introduzir no quarto da "bocinha de broche" pela janela que tinha ficado aberta), o chuveiro holandês (acertar com baldes de agua nos erasmus que entravam no restaurante chinês), os teste de visão (tentar observar com atenção o interior dos decotes que passavam lá em baixo), as sessões de naturismo, o campeonato do arremesso do estendal e os relaxantes pique niques.

5º As dispensas:

A estranha utilização do espaço por parte do alcoólico inepto que desenhou o projecto desta casa, levou a que, nos mais inesperados locais, se encontrassem dispensas de arrumação totalmente inúteis. Na sala, na cozinha e até nos quartos haviam dispensas as quais, apesar de originalmente supérfluas, foram devidamente afectadas a propósitos bem mais castos. Assim, o quarto da varanda viu a sua função alterada. O que no início era uma normal (na medida do possível) divisão do antro, viu-se transformado num agradável pátio interior. Os espaços de armazenamento, estes, serviram para alojar colchões onde dormiam dois dedicados estudantes. Os agora denominados CUBÍCULOS ou CAIXÕES revelaram-se extremamente profíquos no que toca à conservação do pouco calor gerado pelos nossos corpos durante as geladas noites de Inverno. Para além disso, foram descobertas particularidades mágicas capazes de serem usadas como suporte à teoria da relatividade de Einstein. Isso porque, apesar de parecer inédito, a total ausência de luz e de som no interior destas heteróclitas celas de decomposição, o tempo, de facto, passava a uma velocidade diferente do que no exterior destas mesmas. Inúmeras foram as ocasiões em que de lá se saiu as 16h00 pensando, no entanto, que apenas alguns minutos tinham passado desde que lá entramos para descansar/ressacar.

Gostaria de me alongar infinitamente acerca dos peculiares elementos que, no seu uno, formavam a casa da Vedoria. Porém, tenho a noção que apesar de parecerem inócuas, tantas sugestões, podem levar a que algumas crianças de hoje, estudantes de amanhã e desempregados do futuro, tentem repetir, melhorar mesmo, os nossos feitos pelo que, prudentemente, vou abster-me de outras referências.

Continuo agora este post com mais algumas menções às vivências procedentes da casa do 3ºano.

- O Senhorio:

Ser abomínavel que reunia em si mais defeitos do que até agora se julgara possível. Acho até, que o ideal seria inventar novos adjectivos capazes de o representar fielmente. Ama o dinheiro mais que a si próprio, não respeitava a privacidade alheia e tinha aquela irritante capacidade de falar constantemente sem se dar conta da apatia e do aborrecimento da sua audiência. Passou ao lado de uma grande carreira de docente do IPVC. Tentamos engana-lo não pagando as contas acumuladas ao não abrir deliberadamente as portas aos fiscais da EDP e da companhia das águas. Porém, dotado de uma persistência invulgar, os telefonemas constantes e correspondência inesgotável , fizeram com que nos decidíssemos finalmente a regularizar os pagamentos quase meio ano depois de deixar o imóvel.

- O Telhado:

Esta área foi nos proibida logo no primeiro dia. Porém, como poderia-mos nós resistir ao apelo do desconhecido? Como faríamos para lutar contra a natural invocação da descoberta? Como bons Portugueses que somos, ávidos de desvendar o mistério de tudo o que é ignoto, subimos facilmente ao telhado segundos depois de termos entrado em casa. A vista era esplêndida. Alcançava não só o atlântico como grande parte do centro histórico o que nos consentia controlo sobre as movimentações das manadas vianenses. Apesar de algumas telhas partidas (bem pagas na encantada hora da despedida), não me sinto compungido em nenhum aspecto. Guardo em mim as formosas memórias das tardes de sol passadas ali especado. Sinto ainda o ceder do barro das telhas durante aqueles exóticos festejos dos golos do Futebol Clube do Porto na final da UEFA Cup. Como por morrer uma gaivota não acaba a tempestade, também um amolador mudo não mói calhaus. Assim, finalizo a alusão ao nosso protector telhado com um memorandum à sua função secundária. Esta, era a de armazenar o que de mais inútil encontrávamos na rua. Muito irónico é o mundo. Um andar com tanta dispensa, e ter necessidade de por a vida dos transeuntes em perigo, por os sinais de transito estarem a vacilar alegremente na berma do precipício.


- O frio:

Grande parte do desconforto causado em nós pela aquela mansão imaginária deveu-se ao ignóbil frio que se fez sentir naquele inverno. Consequentemente, as largas centenas de ouros (Private Joke) acumulados em facturas atrasadas, tinham forte relação com os aquecedores eléctricos que cada um tinha no seu quarto. Como o ar cálido produzido por estas máquinas (que não reconheciam nenhuma convenção ecológica) era substancialmente inferior àquele que, glacial, entrava pelas auto-estradas a que chamávamos janelas, tínhamos de reforçar as nossas defesas nocturnas com a seguinte indumentária:

- Um mínimo de 12 tagus do Lunas,
- Um pré-aquecimento do quarto de15 minutos através de um velho aquecedor a óleo ou eléctrico em regime maximizado,
- Um saco de água quente enfiado nos lençois,
- 1 lençol de flanela,
- 2 Cobertores de inverno,
- 1 Colcha de penas.

A roupa que levávamos em nós para o entorpecido sono era geralmente:

- Cuecas/meias/T-Shirt,
- Calças de fato de treino,
- Camisola,
- Casaco de penas,
- Gorro,
- Echarpe para nao acordar com o nariz azul.

Apesar de todas as contrariedades do edifício, admito que foi um ano bem passado. Com um mentiroso compulsivo a viver em frente, um restaurante sul americano mesmo ali, um centro de internet mal frequentado acolá e os belos exemplares femininos que trabalhavam no centro de estética ao fundo da rua, a vida tornou-se mais fácil. Confesso ter até saudades de insultar diariamente a velha mal criada da porta em frente e de evitar tomar banho durante semanas a fio para não arriscar uma pneumonia.

Invoco em mim dores de cabeça que não tem fim, bebedeiras em frente ao jardim antes de ir para a cama, a seca que apanhava se não me embebedasse , época onde ainda estava numa fase, em que ressacava sete dias por semana!

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

A casa do 2º ano


Por muitas voltas que a vida dê, existem locais que nos marcam mais significativamente do que outros e, assim sendo, o caso do celebríssimo apartamento do 2º ano é um perfeito retrato de tal afirmação.

Aquele antro foi um daqueles covís que para sempre irão ficar marcado nos nossos corações. Aliás, nós deixamos por nossa vez, inúmeras marcas físicas no imóvel assim como relevantes impactos psicológicos na vizinhança de forma a celebrar eternamente um laço de união entre os seres animados que o habitaram, e o objecto físico em questão.

Após um ano de violentes celebrações, tivemos de deixar aquele lugar com um aperto no coração e pernas a galgar, para não pagarmos aos donos os danos causados. Este post é um memorial ao testemunho material do que foi com toda a certeza o ano mais feliz das nossas vidas. Apenas breves referencias, uns flashbacks momentaneos que nos provocam arrepios na espinha e relembram cheiros e sabores que nos esforçamos por esquecer.

Resolvi, para facilitar a leitura aos nossos leitores, publicar este tributo em vários pequenos capítulos úteis para melhor separar o espesso tecido quase palpável de degredo, humor, cheiro, sujidade e álcool que flutua nas nossas recordações quando nos referimos a esta toca vampiresca.

Desta forma:

As decorações -

Quando entramos pela primeira vez no apartamento com os sacos as costas e a vontade de nos instalarmos rapidamente, deparamos-nos com uma decoração do imóvel muito à quem das nossas preferências. De facto o antro apresentava todas as características típicas de uma propriedade de lavradores do alto minho que, apesar da boa vontade e carácter trabalhador, de bom gosto não tem nada a não ser no que toca ao verde regional. Armários no meio da sala foram realojados devidamente contra a parede, mesinhas a mais foram expulsas pela janela logo no primeiro dia e , os quadros típicos de meninas a chorar e paisagens bucólicas, foram transformados em cinzeiros.

Os estragos -

Com o tempo todos os espaços de arrumação foram preenchidos com garrafas, as sanitas começaram a sair do sitio tais computadores portáteis, as portas das arrumações cederam assim como os estores começaram a ficar presos. Para alem disso, severos danos foram infligidos as paredes tectos, candeeiros, varandas, electrodomésticos, vidraças e ao mobiliário dos quartos. Enfim, mas vale dizer que tudo o que se encontrasse a determinado momento dentro daquelas paredes corria sérios riscos de sofrer danos consideráveis.

O Prédio -

A extensão da nossa loucura não ficou retida dentro de nossa casa. Acusaram-nos de denegrir a estética do prédio por pendurar nas varandas lençóis com mensagens obscenas e de guardar sucata nas mesmas o que sugeria que o prédio estava habitado por ciganos ou ladrões. Mais do que isso, usávamos todas as peças que se podiam separar do condomínio para nosso uso exclusivo. Maçaneta das portas, campainhas etc etc. Tudo era aproveitado para, por exemplo, arremessar para a rua ou decorar o pinheiro de natal.

A vizinhança -

Pode-se se dizer que ninguém tem nada como realmente adquirido. Mesmo morando num prédio semi desabitado, eventualmente, de um dia para o outro, a calma pode desaparecer. Diz-se e bem que há calmaria antes da tempestade.. Quantas vezes vieram nos bater a porta a meio da noite por termos a musica nas alturas sem nos ralarmos, quantas pessoas incomodamos com o constante vai vem de pessoas, portas a bater e sons indecifráveis. Até o bairro em redor sofria as consequências. Muitas vezes brincávamos ao arremesso mais longo. O objectivo era atirar o lixo o mais longe possível para alem da linha do comboio o que, compreensivelmente, causava um chiqueiro lamentável em toda a rua. Engraçado mesmo era trancar o Javali meio nu numa varanda e gritarmos com todas as forças pelas outras janelas para que as pessoas viessem ver o que se passava. Era mesmo muito bom ver as luzes dos prédios adjacentes se iluminarem a meio da noite para ver um exibicionista sem vergonha. Um hominídeo grotesco tal gárgula desnuda, incensivel à vergonha e aos fundamentos do respeito que se deve aos outros na vida em sociedade. No auge da nossa loucura, chegamos até a fazer fogueiras na varanda de dimensões consideráveis. Churrascos foram planeados e, certo dia, conseguimos queimar listas telefónicas, cadernos de Inglês, lixo e o pinheiro de Natal de uma única vez. Concordo porém que, desta vez, os vizinhos tiveram razões para se preocuparem.

As festas-

O apartamento do 2º ano era um palco idílico para a realização de festas estudantis sem vergonha. Vómitos imundos permaneceram para sempre agarrado aos azulejos da casa de banho, amendoins encontravam-se ainda meses depois, bebedeiras la apanhadas ficaram na historia e, situações vergonhosas de mais para aqui serem contadas, provaram que aquele local era o único capaz de gerar o ambiente perfeito para acontecimentos desta natureza. Na memoria ficam imagens de frigoríficos a rebentar de bebidas e os dias inteiros a limpar a habitação apos estas fenomenais sessões de convívio.

Resumo-

Para finalizar esta breve compilações de memorias relativas à casa do 2º ano, apenas aponto o que aconteceu e, o que foi mencionado sobre nós, aos locatários que la foram parar no ano seguinte. Foi nos dito que a proprietária, de tão furiosa connosco, tornou-se uma psicopata desconfiada. Disse ela que as reparações efectuadas foram superiores a 500 contos na moeda antiga (não era preciso exagerar.. A casa inteira não valia isso) e que a mobília quase toda teve de sofrer intervenções por parte de carpinteiros (isso sim, concordo). Para além disso, disse ainda que encontrou droga escondida na casa (como se de facto tivéssemos alguma vez tido estupefacientes, estes sobrariam.. Impossível..) e que nunca mais fazia alugueres ao negro nem deixaria de pedir uma caução avultada como medida de precaução (faz ela bem).

Bons tempos, saudades daquele reconfortante ninho..

domingo, 19 de novembro de 2006

Caça Furtiva

Era um dia como tantos outros. Faltamos ás aulas como sempre para fazer o mesmo que tínhamos feito noutras alturas e que fariamos por ventura durante tempos vindouros.

O dia de inactividade total que, pensem o que quiserem, é por si só bastante complexo e desgastante tanto mentalmente como.. mentalmente.. acabou como os outros. Ou seja no café do outro lado da rua.

Este ocupa um local estratégico. A esquina onde convergem 2 via principais do bairro dos estudantes. Alem do mais, com as suas amplas vidraças e esplanada airosa, este estabelecimento era o local ideal para actividades tais como as popularmente denominadas de: micanço, controle, engate, etc.

Tais características e a comunhão com o facto de vivermos na altura num apartamento mesmo em frente, tornaram o café-snack bar em questão na nossa sala de estar. De facto, considerávamos este comércio como um anexo nosso apenas separado por uma estrada de paralelos.

A noite ia normal, eu, psico, javali e ts devíamos ter arruinado com a esperança de uma comum garrafa de licor beirão em sobreviver a mais uma noite académica quando resolvemos ir para casa. Eu porque tinha uma liga de FM interessante, o Psico porque tinha aPS2 pronta a centrifugar no seu interior o dvd com as impressões PES, o javali porque, obviamente, era hora do monólogo diário com a sua cara-metade e, finalmente, o ts que tinha, como sempre, alguns exemplares pirateados de fitas, hoje digitais, hollywoodescas.

Este é o ponto da narrativa em que se começam de, facto, a escrever as peripécias e acções incomuns que justificam o próprio e incontrolável reflexo delas nos lembrar-mos. Tudo começou com uma suposta virtude a que demos o nome de meticulosidade. Ts, um rapaz atencioso para com as suas coisas pois estas lhe custaram a ganhar tinha a admirável paciência de todos os dias deslocar a sua viatura alguns metros ou ate centímetros por todo e qualquer motivo.

Ou era porque os bêbados que saiam do tasco passavam muito perto do espelho, porque conhecia a dona do carro que atrás do dele estava estacionado e, desconfiando com toda a razão das habilidades irrefutáveis para a demolição de automóveis das mulheres locais, sabia não ser capaz de descansar. Mas também por ter visto um cão a urinar ali perto e não querer ter de limpar as jantes, talvez porque o gato que afiava as unhas no BMW poderia sentir-se tentado a testar outras superfícies de marcas concorrentes. Também tinha em consideração as probabilidades aritméticas das gaivotas por ele tão estimadas acertar com seus dejectos corrosivos na pintura metalizada e, não poucas foram as ocasiões, supôs que o grau de inclinação do eixo terrestre naquele determinado mes do ano fosse provocar temperaturas e radiações capazes de estragar os plásticos interiores.

Assim, naquela calma e simples noite, quando três estudantes resolveram por em pratica hábitos invulgarmente gregários (note-se que se fossem vulgares não lhes chamaria gregários mas sim hábitos gregórios..) o ts convenceu-se por qualquer uma ou ate outra razão acima citada que o automóvel teria de ser movido para outro lado da mesma rua.

-Vou dar a volta ao carro e estacionar mais a frente! disse ele sem que nos preocupassemos por demais com tal costume usual.

O tempo fluía rapidamente. Como diz o povo, o bom sabe a pouco. Com um pouco de vícios digitais e confraternização inter quartos, muito rapidamente nos esquecemos do ts. A noite ja tinha aproveitado a nossa distracção para avançar.

-E pá! o ts?? Perguntou um de nós!
-Sei lá, deve ter ido ver as rolas..!
-Tanto tempo para dar a volta ao carro.. se calhar adormeceu lá dentro!* (*material para outra historia.)

Esperamos despreocupadamente. De facto, ate nos esquecemos da sua ausência. Dele só nos lembramos quando ouvimos uma chave a rodar o mecanismo da porta da entrada. Desde logo, e por falta de sons esquesitos, soube que algo estava errado. Passou silencioso e cabisbaixo e isso todos nos sentimos. Fomos ter com TS ao quarto e perguntamos que se passava com ele.

- Tou fudido! Disse com lágrimas prontas a jorrar dos olhos!
- Que fizeste pá??!!
- Fui dar a volta ao carro.. Respondeu querendo esconder algo!
- Sim mas.. porque estas assim?
- E que.. peguei no carro e .. resolvi ir dar uma volta...
- Esta bem. Isso ja nos sabemos. Dissemos impacientes..
- Fui andar pela cidade e, de súbito, quando dei por ela estava a caminho da serra.. A estrada estava escura, encontrava me sozinho naquela estrada sinuosa e não resisti. Acelerei pela encosta! As curvas sucediam-se, sentia o carro a vibrar, as suspensões no limite. A adrenalina subia em mim e cada segundo que passava aumentavam os limites da anbição..

- Ta bem!!! Foste dar gás para o monte a esta hora e completamente bêbado! Ja vi que capotaste! Desfizeste o carro! Que aconteceu perguntamos aflitos!

- Nada disso! Continuou.
- Lembro me apenas de estar a deslizar na perfeição por uma curva comprida para a minha esquerda... E foi aí..
- Foí aí o que?? Ripostamos furiosos!
- Foí aí que ouvi um estrondo e vi um olho gigantesco a esborrachar-se no para brisas.

Neste momento tivemos a certeza que o idiota tinha acabado de lançar a vida ás urtigas.

-Continua! O que fizeste! Mataste uma pessoa!!??
-Nada disso! Vocês estão malucos! Lançou levemente ofendido.
-Entã0 caralho!!?
-E pá.. quando senti o enbate entrei em pião e so parei uns valentes metros mais a frente! Avancei no escuro com o coração nas mãos e avistei o que eu tinha acabado de deitar ao chão!
-O que era??
- Um cavalo pá.. atropelei um cavalo.. Desfiz a frente toda do carro!

Neste momento, seria do alívio ou da cara que TS fazia naquele momento uma explosão de risos invadiu o quarto. Contracções de abdominais violentaram o nosso corpo e, secreções lacrimosas guardadas há anos eram expelidas em cascata. As excentricidades dos nossos corpos apenas contrastavam com a do TS que inconsolável afogava as mágoas entre as mãos culpadas.

Gostaria de dizer que no decorrer desta história nenhum animal foi aleijado mas, realmente, um belo equídeo selvagem que populam algumas serras Portuguesas foi de facto brutalmente atropelado e, provavelmente, deve ter ficado a apodrecer numa valeta empestando a atmosfera circundante.

Para finalizar, imaginem o TS a explicar ao seu pai em frente do carro amolgado que, o motivo daqueles estragos, tinham sido causados por um cavalo que não respeitou a velocidade mínima obrigatória. Obviamente, TS foi repreendido veemente por tentar enganar seu progenitor com tão patética desculpa.

-"Cavalos selvagens a solta na cidade! Onde é que já se viu isso" Atirou ele ao TS que cabisbaixo conformou-se com o destino!

Autir: GMDC

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Crime económico

As recentes notícias amplamente divulgadas nos media trouxeram-me á memória uma história caricata que demonstra o que o modesto povo é capaz de fazer durante tempos de vacas magras.

Não que no caso específico a vaca em causa fosse assim tão delgada, a falta de qualidade e quantidade de matéria-prima minimamente aceitável para uma obra satisfatória, teve de ser substituída na altura por um exemplar autóctone. Por isso quero dizer que, fazendo jus de nacionalismo evidente, a nossa característica do desenrasque (bem patente na seguinte narrativa) que é tão Portuguesa como o analfabetismo e corrupção seria francamente bem vista actualmente pelo nosso governo bem que, aplicada de forma sensivelmente diferente em áreas menos humilhantes.

Já foram tempos, eu sou do tempo, ainda me lembro de viver numa altura em que a noite académica justificava um investimento de 700 escudos por 8 bebidas brancas. Eu experiênciei o mito hoje em dia inacreditável de sair de casa sóbrio com 500$ (2.5€ para realçar o choque) e voltar completamente embriagado com o estômago cheio de álcool mas também de bifanas, cachorros e muitas outras coisas que são irrelevantes para o fio condutor da história.

Numa destas famosas e já longínquas noites da nossa inocência em que, muitos e muitas justificavam ainda este adjectivo ao sair de casa mas já apenas traziam uma vontade de preservar tal imagem no fim da mesma, encontrava me eu e o Laranjinha em fase de decadência à porta de saída de um estabelecimento de diversão nocturna em saldos.

Obviamente um cenário caótico reinava naquela rua. A noite pesada com nuvens baixas levava a bruma a serpentear pelas ruelas antigas dando às pessoas um ar mais misterioso do que o que estas mereciam. Enquanto decidíamos se devíamos ou não arriscar a sujeitarmo-nos aos caprichos de São Pedro, passaram em obvias dificuldades, 2 meninas pela estrada. Uma segurando-se à outra enquanto a 2ª não largava a 1ª. Só de forma inconsciente se alcança um equilíbrio entre duas pessoas que tem o cérebro envolto em álcool. Comparem se quiserem esta situação aos Cartoons do Coyote onde este mesmo correndo no vazio e deixando para trás a falésia só cai quando de facto percebe que não tem a rocha por baixo das patas. Ou então imaginem que a perturbação, mental destas duas raparigas corresponde a um transe sonâmbulístico e que, se esta adulteração da consciência dita normal se quebrasse, também o mesmo aconteceria com a harmonia entre as 2 bêbadas e com o equilibrismo do sonâmbulo num qualquer cabo telefónico suspenso sobre uma estrada movimentada.

Todo o parágrafo anterior poderia ser resumido numa simples linha de texto. No fundo, procurei exemplificar metaforicamente que existem certos movimentos e acções que, com a ajuda de substancias de má reputação, são realizadas automaticamente e de forma natural. Estranho realizar que tais actos que parecem na altura tão lógicos e inconsequentes possam ter um impacto tão grande no dia a seguir e, por ventura, em toda a vida futura.

Assim, avançando na história, porque muitos dos leitores tem de facto mais do que fazer, eu e o Laranjinha não duvidamos por um segundo que o que tínhamos a fazer quando nos deparamos com duas donzelas em dificuldades para se deslocar. Obviamente, acorremos a ampará-las ajudando-as a atingirem o objectivo de voltar a casa. Não preciso no entanto de referir que no interior das nossas cabeças, por um motivo ou pelo outro, levá-las para casa era de facto o nosso propósito primordial.

Estava eu a agarrar o par que me calhou para que este não se estatela-se nos paralelepípedos antigos quando me lembrei de lhe ver a cara. Queria ver qual era a pessoa que estava a ajudar, reconhecer no profundo de seus olhos a faísca do agradecimento pela minha prestabilidade. No fundo, queria entrar em contacto com um sentimento simples e genuíno como o é o agradecimento. Pode parecer estranho mas raras são as vezes em que nos deparamos com tal sensação.

Ergui-lhe a cabeça, afastei as suas longas madeixas negras que obstruíam a clareza leitosa da pele da sua cara. Ao faze-lo os meus dedos tocaram levemente na sua face. Uma impressão de seda e texturas refinadas despertaram os meus sentidos e, mais especialmente, a minha curiosidade. Finalmente tinha chegado a hora de a minha retina estudar as linhas faciais da sortuda donzela. Era o momento de perceber inatamente qual a sua reacção, intenções, medos e sentimentos. Coisa que no fundo so o olhar por si só pode perceber e, mais do que isso, ter a certeza por mais que as palavras digam o contrário. Como disse um conhecido meu de longa data, o Tonio do monte como lhe chamamos carinhosamente: "The eyes chico, they never lie..."


Por um instante, devido a ansiedade, o tempo parece que parou, as expectativas era, bastantes e um vulgar momento milhões de vezes repetido encantava uma alma numa noite tempestuosa de Inverno. Levantei-lhe então a face e abri os olhos. A minha reacção inicial foi querer fugir... De facto, os meus reflexos até ai ainda vivazes fizeram que ela se soltasse de mim perdendo todo o apoio que tinha permitido que ela se mantivesse de pé.

Uma cara magra de ossos salientes, uns esbranquiçados lábios finíssimos, para raios na dentadura e um corpo digno de pinóquio. Ai está meus amigos a melhor cura para a ressaca pois de imediato fiquei finíssimo como um cantâro de água fresca. Estatelada no chão incapaz de reagir, voltei a minha atenção para o Laranjinha. Vamos embora pensei em dizer-lhe. Porem, as minhas palavras ficaram amarradas a garganta perante o espectáculo horrífico que presenciei.

O Laranjinha, rapaz de sucesso no que ao sexo feminino toca, corpo ainda jovial, atleta bem preparado, uma bonança para qualquer mulher quanto mais para o Adamastor que ele agarrava. Em poucos segundos que, para os menos adeptos da leitura devem ter sido semelhantes a várias horas, o Laranjinha tinha a mão direita a percorrer as muitas curvas do animal e a esquerda a testar a firmeza da fruta frontal da mesma.

Descrevendo a ursa em questão (esta sim ursa maior), os seus traços característicos eram e ainda devem ser:

- A pele gordurosa
- O cabelo ralo
- O peso em excesso
- Os óculos fundo de garrafa.

Obviamente que depois de recuperar do trauma inicial tentei salvar das garras deste predador o meu amigo Laranjinha.


-Laranjinha, vamos embora esta a chover, Disse lhe eu.
-Vamos embora? Estas mas é maluco! Hoje é missão BCNL! Ripostou firmemente.

Não desisti a primeira como se espera de um amigo digno de tal!

-E pá, já viste a cara delas, estas maluco? Proferi sem discrição.
-Quero lá saber, Quando não há pão até as migalhas vão!!! Disse ele. De facto o ministro da economia seria com toda a certeza a unica pessoa no mundo orgulhosa deste cidadão.

Afastei-me transtornado enquanto ouvi meu compincha dizer ao entrar numa obscura galeria comercial que: "Vou aos saldos". Aí está mais uma óptima decisão económica que muitos lares nacionais deveriam seguir.

Divaguei pelas ruelas gastas e nuas, lembro me de pensar no outro mostrengo deitado numa valeta á chuva. Se a mãe dela a visse com certeza que teria espancado o preto ou o cigano que a tinha deixado naquele estado. Ao chegar a residência estudantil encontrei os colegas de curso cá fora na conversa. Com certeza esperavam que o sol levantasse para irem dormir. A culpa não era dele e, na verdade, nós é que chagamos cedo de mais e, seria falta de respeito não esperar por tão importante astro. Pelo menos devemos respeitar o único ser que nos atura e observa dia após dia. Nem Deus com certeza tem paciência para tanto disparate. Se assim não fosse, não seriam as coisas são mas seriam no tal como não o são presentemente.

GMDC, estas sozinho perguntou-me uma amiga?

-Estou. Cheguei agora do bar.
-E o Laranjinha? Perguntou ela sempre curiosa.
-E pá foi à vida.. Respondi

-Ai é? Mas eu vi vos agarrados aquelas 2 galderias. Insistiu.
-Pois, não sei. Esquivei.

A minha estratégia de mentira descarada ruiu quando o próprio Laranjinha apareceu por trás de mim.

-GMDC!! Tens preservativos!!? Disse ele sem dó nem piedade.
-Hmm.. é pá.. Aqui não..
-Fodasse! Espera aí! Lançou ao hominídeo primitivo que veio com ele.

Enquanto ele se mandava pelas escadas em pé de corrida prometi a mim mesmo nunca mais beber e pouco tempo depois fui dormir preocupando me já com a ressaca do dia seguinte.

Acordei sobressaltado. Um estrondo violento semelhante a uma bola de bowling durante um formoso Strike fez a porta abrir-se violentamente. De pele branca, tal qual fantasma de contos infantis, cabelo digno de um Cosmo Kramer ou Marge Simpson e olhos raiados de sangue entrou furiosamente o Laranjinha.

-Vai para o c*****o! Mandou ele.
-E pá que foi? Respondi assustado.
-Es um amigo e peras! Vê se que não posso contar contigo!

Cortando o resto do dialogo para não correr o risco de o Blog ser banido, resumirei agora a situação privando a todos que também posso ser conciso na minha narrativa.

A verdade é que Laranjinha estava sentido para com ele mesmo. Tentava justificar através de um bode expiatório os seus actos da noite anterior. Segundo o que ele me disse, mal chegou à caverna da besta copularam 2 vezes antes de adormecer. De manhã, com grande ressaca e enjoos derivados do processamento do álcool pelo pobre fígado, Laranjinha acordou confuso. Não sabia onde estava, não se lembrava de que tinha feito. Ficou deitado uns minutos tentando perceber que divisão estranha era aquela e a quem pertencia aquele corpo quente. Como no escuro as mãos vêem melhor que os olhos, tentou tactear a entidade que ao lado dele permanecia. Sentiu a pele gordurosa e ainda suada. Reconheceu as características típicas de uma pessoa volumosa e, de repente os seus sentidos despertaram da letargia em que se encontravam. O olfacto voltou de repente e seus pulmões foram invadidos por cheiros nauseabundos. Uma mistura horrenda de álcool, suor, células mortas e secreções púbicas violentaram o seu ainda débil organismo. Levantou-se então de rompante e correu apressado à procura da casa de banho onde vomitou todos os seus remorsos. Titubeando tentou encontrar o quarto de onde se tinha escapulido mas entreviu por uma nesga o quarto das colocatárias do aborto com que ele conviveu intimamente na noite anterior. Tentado se sentiu a entrar. Alargou a frincha, pôs um pé invadindo o proibitivo recinto, avançou mais um pouco e atirou se para cima da presa sem saber muito bem o que estava a fazer. Foi, como é lógico, recebido com gritos e estaladas felizmente para ele pouco precisas. Saiu então desta outra peça e entrou finalmente no quarto inicial. Depois de se deitar por uns instantes na cama sentiu o monstro gelatinoso agarrado e a ronronar-lhe ao ouvido: "vamos ficar deitados aqui a fazer amor todo o dia". Céptico Laranjinha levantou-se e entre abriu os Estores. Quanto conseguiu vislumbrar as feições da coisa em causa sentiu as pernas fraquejar e as lágrimas vieram lhe aos olhos. Tinha encontrado o fundo do poço. O local onde a estima própria nunca tinha entrado.

Voltou em seguida o Laranjinha vociferando pelas ruas num estado lastimável até entrar no quarto #101 que, mesmo não tendo grandes luxos, tinha sempre uma pessoa a quem deitar as culpas. O que este #to não tinha de facto eram assombrações e, isso, já não era mau.

Autor: GMDC

A Semana Cultural

Um certo compincha dos meus que dá pelo NickNome de javali ganhou um estranho habito durante as semanas culturais do IPVC. A primeira vez que o desastre aconteceu remonta ao ano do senhor 2001...

Depois de um jantar bem regado entre amigos, decidimos levar para a escola uma garrafa de CONHAC do bom que o Psico tinha surripiado lá em casa. Quando lá chegamos tivemos a triste oportunidade de constatar que a HINOPORTUNA estava a actuar o que deu tempo ao Javali de emborcar metade da garrafa de licor Francês enganado pela insignia SUPERBOCK que revestia o tão precioso líquido. A expressão dele depois das duas gigantescas goladas que deu foi no mínimo hilariante. O ardor inesperado que lhe escoria pela garganta como a lava de um vulcão fez os seus olhos sair das orbitas e a sua pele mudar a pigmentação natural.

Sentou-se. Não disse nada. Nós riamos tentando segurar as lágrimas até ao momento em que ele se levantou no meio anfiteatro e proclamou numa voz forte e bem audível mesmo estando os tristes a tocar com frenesim: "Ó URSOOO VAI PRO CARALHO... Laranjinha... PARABENS.... PAARRAABENNNSS AA VOOOCÊEE..... NEESSTTAAA DAATAA..."

O Urso (nicknome) é lá o chefe dos corvos tocadores e um indivíduo respeitado por meia dúzia de pessoas enquanto o Laranjinha é um dos nossos agentes infiltrados que teve a coragem de se misturar ao mais pegajoso lodo universitário de Viana. Quando as centenas de cabeças curiosas e/ou escandalizadas se viraram para o Javali nós fizemos o que todos os bons amigos fazem... Fugimos a 7 pés deixando o entregue a ele mesmo...

Alguns minutos depois e sabendo que o ultimo tinha sido convidado a sair do anfiteatro começamos a ficar preocupados. Onde se teria metido o nosso animal de estimação... A busca despreocupada só acabou quando aproveitei para ir mijar...entrei na casa de banho e um cheiro putrefacto emanava de uma das sanitas... O gajo que estava a mudar a agua as suas azeitonas a meu lado olhou para mim e disse.. fdx.. Vou bazar ou vomito já... Acabei de urinar sozinho e com a manga da minha camisola a tapar o nariz impedindo que o horrível cheiro entrasse nos meu lá frágil organismo... de repente ouvi um soluçar familiar... Javali és tu?.. diz kk coisa!!
-Souuu,,, :-s
-Fodasse abre a porta - respondi..
-Não...
-Anda lá - insisti com ele..
-Eu saio..

Abriu a porta... o cenário era lamentável.. Sobretudo se pensarmos que estávamos na casa de banho da escola as tantas da manha numa semana que de CULTURAL não tem nada.... Vómito em todo o lado.. a roupa dele toda molhada e, escusado será dizer, IMUNDA! OO cheiro intensificou-se e tive de sair da casa de banho para não correr o risco de acabar como ele..

Os leitores podem pensar neste momento que é mais uma historia como tantas outras de um bêbado que vai vomitar mas, na verdade, a piada desta narrativa so agora vai ser revelada...

O Javali saiu da porta em lágrimas e eu perguntei..
-estas bem?
-Não, armei a puta - disse ele..
-Então porque??
- Acabei com a minha namorada..
-Fodasse, enfiaste-te na casa de banho a chorar por ela??!! Que homem és tu?
-Não percebes-te - tentando se justificar..
- .. Eu..eu.. eu fui expulso no auditório e vim dar uma cagadela..
- E? o que tem isso a ver com a tua namorada ? - Repliquei confuso..
- ó pá... estava a cagar e ela ligou-me.. Obviamente atendi e começei a falar.. só que.. durante a conversa aquela merda que me deram a beber começou a fazer efeito e juntando isso ao cheiro da cagadela veio-me vómito a boca e não aguentei.. deixei cair o telefone e vomitei-me enquanto cagava.. o pior é que... a minha EX ouviu tudo e acabou logo comigo...

LOL...LOOOOLLL.LLLLOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLL

Sendo por si só uma história caricata que chegue, tenho de referir que no ano seguinte o Javali voltou a vomitar na mesma casa de banho por causa do cheiro das suas próprias fezes e, em 2003 tb virou o barco no mesmo dia mas por razões menos estranhas ...

Podem pensar o que quiserem mas a vida de estudante é feita de coincidências estranhas... quase assustadoras.. Historias que se repetem vezes sem conta...são... MITOS UNIVERSITÁRIOS...

E esta hein?!!


Autor: GMDC

Os Personagens

Em todos os romances, contos infantis ou prosas épicas as personagens principais são o ponto fulcral da narrativa. As suas características são evidenciadas, os pormenores mais insignificantes nunca passam despercebidos e ao longo de toda a história se aprende sobre o perfil do homem, animal, coisa ou mulher (passe o pleonasmo).

Assim sendo, o relato que aqui vai ser construído tendo em conta a nossa capacidade cefálica de recordar acontecimentos muitas vezes obstruídos por uma névoa de álcool e, por ventura vergonha, terá forçosamente de dispensar algum espaço para a caracterização dos seus principais actores.

Em seguida será apresentada uma breve "definição" do carácter e comportamento típico dos artistas em causa. De ter em conta que todas as situações citadas entre linhas são verídicas e que quaisquer coincidências com a realidade não são de forma alguma acaso do destino. De referir ainda que a ordem pela qual serão citados os protagonistas não tem base em qualquer escala classificativa.

1º: Laranjinha:

Este personagem caracteriza-se por expressar as suas intenções consoante a roupa que leva vestida. Muito conhecido pelas mais variadas classes femininas, nunca deixa os seus créditos em mãos alheias de tal forma que se tornou um mito por entre a comunidade estudantil do sexo fraco. De referir o carácter calmo, meticuloso e atencioso que obviamente explodiu mais que uma vez em sessões de pancadaria. São suas marcas pessoais as propensões para não saber onde está nem para onde vai assim como não perceber por vezes piadas básicas mas discernir situações invulgares em discursos ou textos confusos que ninguém se dá ao trabalho de tentar sequer estudar.

2º: Psico:

Este individuo marca pela sua persistência. Capaz de maratonas PS2 que estão para lá do ser humano comum, também se caracteriza por se fartar ainda mais rapidamente de algumas aulas (ex: 3ºano). Apreciador de bom vinho é igualmente importador de conhaques Franceses para grande azar de alguns. Finalmente uma faceta mais perigosa reflecte-se nos automóveis de estado duvidoso que por vezes conduz em lugares em que tal não seria recomendável.


3ª:TS:

Quanto ao que toca ao TS, não faltam evidencias que o caracterizam. Tanto se esforça por parecer uma pessoa respeitável como degrada a sua imagem com relações sociais pouco recomendáveis em lugares sombrios. Tão rápido austenta uma imagem de austeridade como é visto a expelir líquidos regurgitando frequentemente e, previsivelmente, álcool rapidamente ingerido. Para alem disso, tem uma faceta de piloto de corrida que não poucas vezes lhe trousse problemas e, finalmente, tem grande paixão pela caça grossa ilegal a meio da noite.

nº4: Javali:

O animal de estimação do grupo. A sua fisionomia distinta dá-lhe logo à partida um estatuto de notoriedade Ele é o relações públicas do grupo. Conhece toda a gente e nem toda a gente sonha que ele existe. Proveniente das redondezas de uma cidade dormitório, aproveitava todos os momentos para por a conversa em dia e para frequentar estabelecimentos nocturnos de má qualidade. Não menos importante são os seus monólogos diários ao telemóvel que nos assombraram a existência durante vários anos e a sua vertente mitómaniaca que lhe retirou bastante credibilidade mas o enriqueceu em originalidade.

nº5: Baco:

Um dos mais marcantes exemplos de que a vida dá grandes voltas. Quem o viu e quem o vê não pode crer nos seus olhos e, por certo, terá mais uma razão para por en causa a existência ou não de uma entidade superior que manipula todos os seres vivos. O seu nome real reflecte o seu modo de vida. Os lugares onde viveu ficaram para sempre assombrados por fantasmas femininos que ainda não sabem bem o que foi que lhes aconteceu. Tem uma seria tara por Telettubies roxos.

nº6: Xibato:

Elemento que teve uma passagem mais curta (mas não menos marcante e preenchida) que os outros pela vida académica. Inicialmente muito reservado transforma-se em super estudante mal tenha a oportunidade e, aí, elas que se cuidem. O seu nicknome foi lhe atribuído por um individuo completamente maluco que tentava fornicar as fotografias da sua namorada estivesse ele ou não presente. Foi também um dos sobreviventes do quartonº101 da residência durante o 1º ano.

nº7: GMDC:

A única pessoa mentalmente equilibrada deste grupo.
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Existem obviamente muitos outros Artistas que poderiam estar inseridos aqui. Porém, sendo alguns do sexo feminino e, face a obrigatoriedade de reduzir ao núcleo básico os elementos interventivos da narrativa, fiquemos por aqui quando a KEY-PLAYERS.

Autor: Gmdc